
sábado, 19 de abril de 2008
sábado, 12 de abril de 2008
DURMO OU NÃO?

Durmo ou não?
Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
-
Sou dois seres e duas consciências
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
-
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem...
Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?
-
FERNANDO PESSOA
FERNANDO PESSOA
sábado, 5 de abril de 2008
JULGAMENTO PRÉ-CONDENADO

Acordamos um dia, e constatamos
Que estamos num mundo a que não pertencemos...
Nem sabemos quem somos, nem o que amamos,
E procuramos a razão para e porque vivemos
-
Tudo deixa então de fazer sentido
Desvanece-se a vida, fica tudo desunido,
Como um enorme puzzle ainda por fazer
Onde somos peça que parece a ele não pertencer
-
Tudo e todos que pensávamos fogosamente amar antes
Tornam-se assim meros inúteis, vazios, desesperantes,
Nada nem ninguém algo mais nos diz
E sabes logo que com eles não voltarás a ser feliz
-
Embora seja o mesmo, esse nosso velho mundo
Causa-nos agora um tal asco profundo
Que nos leva à loucura, e a só pensar
Em que tudo o que tínhamos, temos agora de mudar
-
Mas depois, chega o monstro da falta de coragem
Para assumir a todos essa grande viagem
De mudar de vida, e procurar a paixão
Esteja onde estiver, provar que temos razão
-
Temos medo dos outros, do que vão dizer
Afogamo-nos em nós, abdicando do prazer
De uma vida feliz procurarmos atingir
Sem nada nem ninguém donde queiramos fugir
-
Proibimo-nos de pensar, e tal como a avestruz
Escondemos esse desejo com um enorme capuz, e
Fingimos viver numa aparente intensa felicidade
Para os outros acreditarem que isso é mesmo verdade
-
E assim vamos vivendo, os anos por nós vão passando
E procuramos sempre nos ir mentalizando
Que estamos bem assim, que não podemos mudar
Pois continuamos a ter medo de que vão os outros pensar
-
Que se fodam os outros, que nem felizes são
Possivelmente ainda pior que nós eles estarão
Se nos vierem um dia a apontar o dedo
É só porque sabem que também só não o fizeram por medo
-
Depende de ti, escolheres o lado para estar...
Se dos tristes que apenas sabem criticar ou julgar,
Se daqueles que souberam com as regras romper
E que ainda que apontados, são felizes a valer
-
Sei que um dia, vais ter tu essa alegria
De seguires os teus sonhos, atingires a utopia
De viveres como queres e só com quem amas
De terminares de vez com essa vida de dramas
-
Todos os ‘’velhos do restelo’’ podem então criticar
Podem abrir os pulmões e bem alto gritar
Que tu nem sequer os vais ver ou ouvir
E a todos os insultos responderás a...sorrir!
-
LETRASALINHADAS
Que estamos num mundo a que não pertencemos...
Nem sabemos quem somos, nem o que amamos,
E procuramos a razão para e porque vivemos
-
Tudo deixa então de fazer sentido
Desvanece-se a vida, fica tudo desunido,
Como um enorme puzzle ainda por fazer
Onde somos peça que parece a ele não pertencer
-
Tudo e todos que pensávamos fogosamente amar antes
Tornam-se assim meros inúteis, vazios, desesperantes,
Nada nem ninguém algo mais nos diz
E sabes logo que com eles não voltarás a ser feliz
-
Embora seja o mesmo, esse nosso velho mundo
Causa-nos agora um tal asco profundo
Que nos leva à loucura, e a só pensar
Em que tudo o que tínhamos, temos agora de mudar
-
Mas depois, chega o monstro da falta de coragem
Para assumir a todos essa grande viagem
De mudar de vida, e procurar a paixão
Esteja onde estiver, provar que temos razão
-
Temos medo dos outros, do que vão dizer
Afogamo-nos em nós, abdicando do prazer
De uma vida feliz procurarmos atingir
Sem nada nem ninguém donde queiramos fugir
-
Proibimo-nos de pensar, e tal como a avestruz
Escondemos esse desejo com um enorme capuz, e
Fingimos viver numa aparente intensa felicidade
Para os outros acreditarem que isso é mesmo verdade
-
E assim vamos vivendo, os anos por nós vão passando
E procuramos sempre nos ir mentalizando
Que estamos bem assim, que não podemos mudar
Pois continuamos a ter medo de que vão os outros pensar
-
Que se fodam os outros, que nem felizes são
Possivelmente ainda pior que nós eles estarão
Se nos vierem um dia a apontar o dedo
É só porque sabem que também só não o fizeram por medo
-
Depende de ti, escolheres o lado para estar...
Se dos tristes que apenas sabem criticar ou julgar,
Se daqueles que souberam com as regras romper
E que ainda que apontados, são felizes a valer
-
Sei que um dia, vais ter tu essa alegria
De seguires os teus sonhos, atingires a utopia
De viveres como queres e só com quem amas
De terminares de vez com essa vida de dramas
-
Todos os ‘’velhos do restelo’’ podem então criticar
Podem abrir os pulmões e bem alto gritar
Que tu nem sequer os vais ver ou ouvir
E a todos os insultos responderás a...sorrir!
-
LETRASALINHADAS
A TEMPESTADE QUE NÃO ENTRA...

Vejo à minha frente
Um caminho diferente
Um caminho que se diz contente...
Mas eu...
Perco-me no meio de palavras divergentes...
O sonho, só, não basta
Preciso de algo que me afaste
Da ilusão, da incerteza, da incoerência.
A realidade, apenas, não é suficiente
Quero acreditar e confiar nos meus instintos...
Nas minhas vontades...
O nevoeiro, calmamente regressa à minha vida.
Uma nova estação se apresenta.
O vento bate à minha porta
Mas a passividade impede-me de a abrir
Impedindo também que me transforme...
Impedindo que me permita a modificar...
Impedindo um turbilhão de emoções...
Impedindo uma tempestade capaz de lavar as feridas mais profundas...
Quero-te como um furacão.
Quero-te como uma catástrofe,
Como algo capaz de me deitar abaixo...
Mas que em seguida me dê a mão para me erguer outra vez.
E assim de cara e alma lavada talvez mude o meu caminho...
E assim talvez siga mais uma vez por estradas erradas
na esperança de um dia voltar a encontrar-te.
-
INÊS MONTENEGRO
Um caminho diferente
Um caminho que se diz contente...
Mas eu...
Perco-me no meio de palavras divergentes...
O sonho, só, não basta
Preciso de algo que me afaste
Da ilusão, da incerteza, da incoerência.
A realidade, apenas, não é suficiente
Quero acreditar e confiar nos meus instintos...
Nas minhas vontades...
O nevoeiro, calmamente regressa à minha vida.
Uma nova estação se apresenta.
O vento bate à minha porta
Mas a passividade impede-me de a abrir
Impedindo também que me transforme...
Impedindo que me permita a modificar...
Impedindo um turbilhão de emoções...
Impedindo uma tempestade capaz de lavar as feridas mais profundas...
Quero-te como um furacão.
Quero-te como uma catástrofe,
Como algo capaz de me deitar abaixo...
Mas que em seguida me dê a mão para me erguer outra vez.
E assim de cara e alma lavada talvez mude o meu caminho...
E assim talvez siga mais uma vez por estradas erradas
na esperança de um dia voltar a encontrar-te.
-
INÊS MONTENEGRO
sábado, 29 de março de 2008
FORA DE TEMPO

Noutras esferas,
noutras eras
anteriores
ou posteriores
minha serias,
e aí me terias
e poderíamos
viver,
deixar
acontecer
sem nada
temer
ou recear
sem satisfações
a dar
sem ninguém
a obstruir
aquilo que julgamos sentir.
-
Noutro tempo
noutro momento
anterior
ou posterior,
poderia funcionar
poderíamos amar
nos entregar,
totalmente
ardentemente
desmesuradamente
destemidamente,
sem ninguém ousar
querer evitar
o nosso amar.
-
Deixaríamos fluir
flutuar...flamejar...
evoluir, perpétuar.
-
LETRASALINHADAS
domingo, 23 de março de 2008
SORRI

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios
-
Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
-
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos
-
Sorri, vai mentindo à tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz...
-
CHARLES CHAPLIN
Sorri, vai mentindo à tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz...
-
CHARLES CHAPLIN
sábado, 8 de março de 2008
FOTOGRAFIA

De mãos dadas
nessa caminhada
sempre juntos
pela estrada
pelo penhasco
a descer
adrenalina
ofegantes
corações a bater
desejos ardentes
beijos eloquentes
perfeitos adolescentes
menos na idade
louca vontade...
a areia (finalmente)
o mar
as ondas
a rebentar
o sol
avassalador
nas rochas
teu cheiro
teu calor
tão juntos
tanto ardor
tua pele
teu sabor
teu cabelo
teu suor
apoderado de ambos
lado a lado
com ternura
e,
apesar da loucura
da tortura,
da demencia,
pela proibição de consumar
que nos nega avançar,
nesse momento
parado no tempo
nada parece existir
que possa interferir
com o estamos a sentir
e ninguem
nos pode tirar
o prazer
que estamos a ter
refletido no olhar
no tocar
no ouvir
no eco do suspirar
que soltas
fugasmente
quando me sentes
possantemente
a te beijar.
-
LETRASALINHADAS
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
SOZINHO

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois
-
Porque você me deixa tão solto?
Porque você não cola em mim?
Estou me sentindo muito sozinho...
-
Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes...cai bem
Eu tenho os meus segredos e planos secretos
Só abro pra você, mais ninguém
-
Porque você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela de repente me ganha?
-
Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
-
Ou você me engana
Ou não está madura...
Onde está você agora???
-
CAETANO VELOSO
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
ERUPÇÃO
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
METÁFORA DOS SENTIMENTOS

Comecei a acreditar ouvir
as forças de mim a sair.
Sinto-me fraco, impotente
habituei-me a andar carente.
-
Cedi então à tentação
Cedi então à tentação
de abrir espaço no coração
e a permitir como companhia
quem sempre temi ter um dia
-
Quatro chegadas amigas pois, elas são
Quatro chegadas amigas pois, elas são
Mágoa, Frustação, Desilusão e Solidão
e por muito que as tente afastar
elas juram nunca me abandonar
-
À Mágoa já por "tu" a trato.
À Mágoa já por "tu" a trato.
A frustação e eu, comemos do mesmo prato.
Sou intimo e chegado à desilusão.
Por companhia, tenho unicamente a Solidão
-
Todas insistem sem pudor
Todas insistem sem pudor
a gravitar ao meu redor,
a intrinsecas de mim se tornarem
até os meus dias acabarem.
-
Ao principio ainda resistia
Ao principio ainda resistia
mas veloz chegou o dia
em que os braços cruzei
e nunca mais as afastei
-
A todo o lado agora comigo vão,
A todo o lado agora comigo vão,
em todos os pensamentos estão,
até nos desejos reprimidos,
até nos sonhos perdidos
-
Ah! pois já me esquecia...
Ah! pois já me esquecia...
Ai de mim no dia
em que as faça despertar
pois ameaçam de vez tomar o meu lugar
e não ouso sequer pensar
a qualquer delas dispensar
pois tenham medo que voltem
mais fortes, e se revoltem
-
A não ser que...esperem...
A não ser que...esperem...
Arrisco dar-lhes o que querem
Podia talvez resultar...
Nada perderia em tentar
-
Veremos como farei...
Veremos como farei...
-
À crescente e possante Frustação
À crescente e possante Frustação
oferecia-lhe da Magoa a sua mão.
A viver juntas começariam
e só de quando em quando me visitariam
-
À triste e sombria Solidão
À triste e sombria Solidão
Casá-la-ia com a amiga Desilusão.
Belo par elas fariam!
Belo lar começariam!
-
Ainda durante ambas luas-de-mel
Ainda durante ambas luas-de-mel
trataria de lhes esquecer o fel,
suas faces, o seu cheiro ou paladar,
até delas lembrança nenhuma restar
-
E aí do zero, do recomeço
E aí do zero, do recomeço
lutaria por um futuro menos tropeço
que me voltasse a fazer sonhar
que me permitisse alegre voltar a acordar
-
Onde estás futuro incerto
Onde estás futuro incerto
que me assustas por não te ver chegar??
-
LETRASALINHADAS
domingo, 3 de fevereiro de 2008
SEI QUE SABES QUE SEI

Sei que sim
que estás assim
triste, desiludida
cabisbaixa, deprimida
com medo que não se entenda
que venhas a perder a contenda
que teimas em manter
com esse teu sofrer
-
Sei que não, não
sabes bem a razão
nem os motivos causadores
de todos esses teus temores
-
Sabes bem que sei
e sempre bem avaliei
quanto vale esse teu ser,
o que não daria para o ter
-
Sei que estás a sofrer
como talvez ninguém
por nem sequer saberes
de onde a dor provém
-
Sei que de ti tentas afastar
esse teu desgosto, esse pesar
tentas rir, dançar, cantarolar
para ninguem sequer desconfiar
que por baixo dessa alegria
desse falso estado de calmaria,
mora encoberta a dor, de dia,
para à noite no seu explendor se revelar.
-
LETRASALINHADAS
FASCINAÇÃO
domingo, 27 de janeiro de 2008
SÓ

Só por existir
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
-
Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar
-
E anda sempre alguém por lá
Só por duvidar
Tenho duas almas em guerra
E sei que nenhuma vai ganhar
-
Só por ter dois sóis
Só por hesitar
Fiz a cama na encruzilhada
E chamei casa a esse lugar
-
E anda sempre alguém por lá
Junto à tempestade
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão
-
Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir
-
JORGE PALMA
Onde os pés não têm chão
E as mãos perdem a razão
-
Só por inventar
Só por destruir
Tenho as chaves do céu e do inferno
E deixo o tempo decidir
-
JORGE PALMA
sábado, 26 de janeiro de 2008
HÁ TANTO TEMPO (ESPERO POR TI)

Há tanto tempo espero por ti
na solidão do meu lugar
Vem aquecer-me a cama
tráz flores para o jantar
-
Sempre habitaste o meu coração
és a razão do meu fervor
mas não te vejo a cara
não sinto o teu calor
-
Podes contar ao mundo
como eu te procurei
quando me for embora
diz que te encontrei
-
Mesmo que tu não sejas real
ou sejas quem eu não previ
hei-de inventar-te sempre
hei-de esperar por ti
-
JORGE PALMAdomingo, 13 de janeiro de 2008
GARÇA PERDIDA

Anoiteceu
no meu olhar de feiticeira,
de estrela do mar, de céu,
de lua cheia, de garça perdida na areia.
-
Anoiteceu
no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos, cuidados, carinhos, no mar...
-
Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
-
E trago o mar dentro de mim,
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar
e vou sonhar até ao fim, até não mais acordar...
-
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar á volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois,
dormiria na areia...
-
JOÃO MENDONÇA
DESILUSÃO

Foi falso alarme!
Volto para dentro
Da concha de mármore
Sem hesitar um momento
-
Mármore bem forte
Pedra de bom porte
Que tempo demasiado
Lá vou ficar fechado
-
Foi engano puro
E por isso tão duro
Ver chegado o dia
De morrer a fantasia
-
Fechar-me-ei de novo
Dentro desse meu ovo
Por a ilusão acabar
Para a dor passar
-
Não tenho medo
De voltar tão cedo
Minha concha fiel
Pura de doce fel
-
Fechado me vais manter
Só tu me sabes proteger
Do inferno exterior
Doutra igual nova dor
-
Minha única sombra
Minha branca pomba
Meu destinado lar
Só lá posso ficar
-
Como num ventre
De mãe paciente
Ninguém vai entrar
Nem me magoar
-
Leito inviolável
Serei intocável
Detesto traição!
Prefiro...solidão
-
LETRASALINHADAS
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
SEREMOS ????

SOMOS duas almas gemeas, embora desencontradas
Como frente e verso de pautas rasgadas
-Como frente e verso de pautas rasgadas
SOMOS cara e coroa de moedas diferentes
E embora nos completemos continuamos carentes
-E embora nos completemos continuamos carentes
SOMOS da mesma planta duas raízes
Que nunca se tocam nem são felizes
-
SOMOS agua e azeite quando misturados
E ainda que sempre juntos, continuamos separados
-
SOMOS duas pétalas da mesma flôr
Arrancadas pelo vento, atingidas no amor
-
SOMOS duas gotas de chuva intensa
Que nunca se juntam na sua queda imensa
-
SOMOS dois destroços à deriva no mar
A que ninguém liga, nem perde tempo a amar
-
SOMOS duas pedras tão insignificantes
Que só se movem se pontapeadas antes
-
SOMOS dois vagabundos sós numa infinita viagem
Que todos fingem não ver na sua vagueante passagem
-
SOMOS fruta tocada num cesto qualquer
Que todos a recusam, que ninguém a quer
-
SOMOS duas metades do mesmo coração
Que separadas para sempre, jamais se unirão
-
SOMOS duas gaivotas no céu azul a voar
Que mesmo se desejando, nunca se vão cruzar
-
SOMOS como duas belas nuvens suspensas no ar
Que com falta de vento, nunca se vão tocar
-Que nunca se tocam nem são felizes
-
SOMOS agua e azeite quando misturados
E ainda que sempre juntos, continuamos separados
-
SOMOS duas pétalas da mesma flôr
Arrancadas pelo vento, atingidas no amor
-
SOMOS duas gotas de chuva intensa
Que nunca se juntam na sua queda imensa
-
SOMOS dois destroços à deriva no mar
A que ninguém liga, nem perde tempo a amar
-
SOMOS duas pedras tão insignificantes
Que só se movem se pontapeadas antes
-
SOMOS dois vagabundos sós numa infinita viagem
Que todos fingem não ver na sua vagueante passagem
-
SOMOS fruta tocada num cesto qualquer
Que todos a recusam, que ninguém a quer
-
SOMOS duas metades do mesmo coração
Que separadas para sempre, jamais se unirão
-
SOMOS duas gaivotas no céu azul a voar
Que mesmo se desejando, nunca se vão cruzar
-
SOMOS como duas belas nuvens suspensas no ar
Que com falta de vento, nunca se vão tocar
LETRASALINHADAS
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