
Enquanto vagueei
sem sentido
aprumado pela dor
que sem medo enfrentei
sem rumo definido
nas ternas asas de um condor
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Ocultando a ira que me seduz
para da escuridão fazer luz
a quem sei que muito me trai
na penumbra do sol que se esvai
tratarei de lhes ofertar
ricos manjares e botões de rosa a florir
ocultando a mágoa e conseguindo sorrir
a quem tem prazer em me magoar
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Quando tudo for funesto
e todo o sabor a fel,
fingirei então ser honesto
tornar-me-ei em igual cruel
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Serei falso perfeito amor
serei equívoco da simpatia
distribuirei frio como fosse calor
os presentearei com cínica magia
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Como um presente envenenado
mimo dado sem ser sentido
qual liberdade do infeliz condenado
serei então anjo em pele de bandido
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Acenarei com fingida amabilidade
dar-lhes-ei fortunas e tesouros,
e como um carrasco em capa de humildade
os atraírei aos seus próprios matadouros
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LETRASALINHADAS
















